segunda-feira, 29 de dezembro de 2008


Há uma água clara que cai sobre pedras escuras
e que só pelo som, deixa ver como é fria.
Há uma noite por onde passam grandes estrelas puras.
Há um pensamento esperando que se forme uma alegria.
Há um gesto acorrentado e uma voz sem coragem,
e um amor que não sabe aonde é que anda o seu dia.
E a água cai, refletindo estrelas, céu, folhagem...
Cai para sempre!
E duas mãos nela mergulham com tristeza,
deixando um esplendor sobre a sua passagem.
(Porque existe um esplendor e uma inútil beleza
nessas mãos que desenham dentro da água sua viagem
para fora da natureza,

onde não chegará nunca essa água imprecisa,

que nasce e desliza, que nasce e desliza...

(Cecília Meireles)


Nenhum comentário: